20 de julho – 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Paulus Editora

O Domingo – Palavra
20 de julho – 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM

A NOVA SOCIEDADE INAUGURADA POR JESUS

Certamente sabemos o que implica receber uma visita. Não são poucas as coi­sas a fazer – sobretudo quando se vive sozinho ou a visita vem quando se está so­zinho em casa. Vimos, na primeira leitura, como Abraão se empenha para receber com dignidade os visitantes, contando com a ajuda da esposa. No Evangelho, Marta comporta-se como Abraão, en­quanto Maria assume outra atitude. Não raro, temos medo desses momentos mais reais de partilha, de intimidade. Nós os contornamos, mantendo-nos ocupados com nossos trabalhos, compromissos etc.

O relato de Jesus na casa de Marta e Maria complementa a narrativa sobre o Bom Samaritano, a qual o precede imediatamente no Evangelho de Lucas e foi proclamada no domingo passado. Não é sem motivo que a Igreja oferece na liturgia, em sequência, essas leitu­ras. O samaritano foi apresentado como exemplo de discípulo que vê e age com compaixão. Maria, por seu turno, sendo mulher, não poderia estar próxima aos homens, aos pés de um mestre. Assim como o samaritano, é uma pessoa mar­ginalizada na sociedade. Não obstante, ela apresenta-se como exemplo de dis­cípula que ouve, escolhendo a melhor parte. Enquanto mulher, esperava-se que ela, assim como Marta, se limitas­se a preparar boa hospitalidade. Jesus rompe com as convenções sociais de seu tempo. As atitudes das duas irmãs são complementares. Não é questão de priorizar uma ou outra.

Ao se referir à atitude de Marta, po­rém, o evangelista está nos dizendo algo mais. Os códigos e limites sociais eram rígidos na época de Jesus. No entanto, amar a Deus de todo o coração e ao pró­ximo requer ultrapassar antigas regras. No Reino de Deus não há distinções nem barreiras entre seus membros. A nova sociedade inaugurada por Jesus é a que exige do discípulo e da discípula o tem­po para ver e fazer (Bom Samaritano), pa­ra ouvir a Palavra (Maria) e aprender com o Mestre (Marta), que sempre nos acolhe.

Assim, Jesus nos lembra que amar os outros significa dispor-nos a acolhê­-los em suas necessidades – nas pala­vras do Servo de Deus, D. Luciano Men­des de Almeida: “Em que te posso aju­dar?” Amar os outros significa ouvi-los, dando-lhes tempo, interessando-se por quem são, pelo que são, e não apenas pelo que fazem ou possam retribuir.

Christian Dino Batsi, ssp


O Domingo – Palavra

O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.

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