A NOVA SOCIEDADE INAUGURADA POR JESUS
Certamente sabemos o que implica receber uma visita. Não são poucas as coisas a fazer – sobretudo quando se vive sozinho ou a visita vem quando se está sozinho em casa. Vimos, na primeira leitura, como Abraão se empenha para receber com dignidade os visitantes, contando com a ajuda da esposa. No Evangelho, Marta comporta-se como Abraão, enquanto Maria assume outra atitude. Não raro, temos medo desses momentos mais reais de partilha, de intimidade. Nós os contornamos, mantendo-nos ocupados com nossos trabalhos, compromissos etc.
O relato de Jesus na casa de Marta e Maria complementa a narrativa sobre o Bom Samaritano, a qual o precede imediatamente no Evangelho de Lucas e foi proclamada no domingo passado. Não é sem motivo que a Igreja oferece na liturgia, em sequência, essas leituras. O samaritano foi apresentado como exemplo de discípulo que vê e age com compaixão. Maria, por seu turno, sendo mulher, não poderia estar próxima aos homens, aos pés de um mestre. Assim como o samaritano, é uma pessoa marginalizada na sociedade. Não obstante, ela apresenta-se como exemplo de discípula que ouve, escolhendo a melhor parte. Enquanto mulher, esperava-se que ela, assim como Marta, se limitasse a preparar boa hospitalidade. Jesus rompe com as convenções sociais de seu tempo. As atitudes das duas irmãs são complementares. Não é questão de priorizar uma ou outra.
Ao se referir à atitude de Marta, porém, o evangelista está nos dizendo algo mais. Os códigos e limites sociais eram rígidos na época de Jesus. No entanto, amar a Deus de todo o coração e ao próximo requer ultrapassar antigas regras. No Reino de Deus não há distinções nem barreiras entre seus membros. A nova sociedade inaugurada por Jesus é a que exige do discípulo e da discípula o tempo para ver e fazer (Bom Samaritano), para ouvir a Palavra (Maria) e aprender com o Mestre (Marta), que sempre nos acolhe.
Assim, Jesus nos lembra que amar os outros significa dispor-nos a acolhê-los em suas necessidades – nas palavras do Servo de Deus, D. Luciano Mendes de Almeida: “Em que te posso ajudar?” Amar os outros significa ouvi-los, dando-lhes tempo, interessando-se por quem são, pelo que são, e não apenas pelo que fazem ou possam retribuir.
Christian Dino Batsi, ssp
O objetivo deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir às comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. Ele contém as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do Hinário litúrgico da CNBB e um artigo que trata da liturgia do dia ou de algum acontecimento eclesial.
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